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A "licenciatura" conferida pela ULHT a Miguel Relvas é paradigmática no que revela sobre o Processo de Bolonha e a natureza da grande maioria do Ensino Superior Privado em Portugal. O primeiro não tem outra tradução do que a fragmentação de saberes em competências adquiridas à peça, com preços cada vez mais caros. Daí ser que nem ginjas para os supermercados de certificados e títulos em que paulatinamente parecem transformar-se as nossas escolas de Ensino Superior Privado.
Se posso estar de acordo com a valorização de trajectos e experiências curriculares, não vejo qualquer motivo para isso dispensar de fazer seja o que for do que se obriga quando se atravessa a estrutura curricular de um curso superior. Quanto mais não seja pela utilidade de sistematização de informação que proporciona, e ser esta sistematização uma competência em si mesma.
Contudo, este caso revela também que podemos estar a entrar no paroxismo do que pode ser um Ensino Superior ao serviço da perpetuação das desigualdades e das promiscuidades com os poderes económicos e político. Pois ao mesmo tempo que se sobem os custos para os filhos dos que menos têm, há privadas disponíveis a dar "borlas" a cabeças-de-abóbora, mesmo que isso venha a afectar o prestígio de títulos equivalentes conferidos a quem pagou forte e feio por mais um direito que vem sendo cada vez mais roubado.
O enxovalho das nossas inteligências atinge o cúmulo quando se sabe que o dito "licenciado" tem um curriculum tão bom, mas tão bom, que mesmo com o 18 que obteve numa das raras disciplinas que aparenta ter sido feita de modo normal, a média é 11! Sim, de facto a ULHT e Relvas estão feitos um para o outro.
E sim, de facto precisamos de um país em que uma instituição destas não tenha lugar, e um indivíduo deste calibre não esteja em exercício de poder. Nem numa associação de folclore, quanto mais no governo.