LIMPEZA BAFIENTA
A carga policial chegou ao interior da RTP.
Disseram as notícias que teriam sido entregues à PSP imagens não editadas da manifestação do dia da Greve Geral em frente à Assembleia da República, para identificação de suspeitos dos distúrbios que deram origem à carga policial. Após contraditório, demitiu-se o Director de Informação da RTP. Prometeu-se um inquérito, e noticiou-se que o mesmo tinha apurado que as imagens não saíram, mas foram vistas em local discreto no interior da RTP, com autorização daquele Director. Vai daí, e demite-se o resto da equipa da direcção de informação. Lestos, os administradores já têm gente para os lugares vagos.
Um exemplo de eficiência à portuguesa. Nem se percebe porque é que o antigo director demissionário diz que só foi ouvido no inquérito porque insistiu muito para o ser, e porque é que a comissão de trabalhadores da RTP classifica o mesmo inquérito de irrelevante, e de ter erros formais. Já o anterior director acrescenta que lhe terão dito, antes de ser ouvido, que as conclusões já estavam tiradas.
Independentemente do juízo ético que se possa fazer do caso, parece é que alguem foi bem prensado, e com uma cirúrgica manobra Goebbeliana (ou Relvista), de um passo só se matarm dois coelhos. O primeiro coelho é o precedente de imagens não editadas serem usadas como fonte de identificação, pondo a televisão a fazer de braço policial. O segundo coelho é por causa disso haver pretexto para varrer os resquícios vindos da anterior administração da RTP, cujo processo de demissão se seguiu à barulheira a propósito da privatização, numa relação causa efeito mal esclarecida, mas bem aproveitada pelo Governo.
Assim tão simples. E limpinho. E sem cheiro a esturro. Quanto muito, a mofo.
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