O passo do dia, ou o último coelho da cartola, se preferirem, vem com o nome de "refundação". Quando a gente desta laia começa uma palavra por "re-", é certo e sabido que é para nos sancionarem com mais uma acção acabada em "-er". Por isso, não houve desilusão ao confirmar que a dita refundação não tem qualquer intenção de suavizar o ritmo ou o modo do processo de destruição do nosso país, em que actuam as forças político-económicas do ocupante e dos colaboracionistas. Antes é uma tentativa para acordar um desmantelamento constitucional para permitir o que se chama de "reforma" (mais um "re-" que é para nos "-er") estrutural do Estado.
Nada de estranho, uma vez que o objectivo nunca foi outro. Não é a refundação ou a reforma um caminho a percorrer para um cumprimento dos planos do ocupante económico, antes nos planos deste e dos seus prestáveis colaboracionistas não está outra objectivo que não seja o desmantelamento de um tipo de Estado ainda configurado para amortecer as consequências da política económica e social que os rotativos agentes internos empenhadamente vêm impondo ao nosso país, ao arrepio da legitimidade democrática que deixa de lhes assistir quando a sua acção é maioritariamente contrária às palavras propagandeadas na caça ao voto.
Este é apenas mais um episódio. Aviltante, insultuoso, ignóbil, e merecedor de todos os adjectivos mais ou menos polidos que se lhes possa arremessar, mas apenas mais um episódio. Em boa verdade, esta telenovela já dura há quase quatro décadas. Mas como tudo o que é bem planeado, a fase actual é mais recente. O plano em marcha tem raízes fundas nos inícios da década passada. Não obstante os foguetórios, querelas de alecrim e manjerona, e as cortinas de fumo com que os seus fautores vão tentando encobrir a sua acção e os seus reais objectivos, os protagonistas vão exercendo uma acção coerente, cirúrgica, apoiada em meios colossais de dissimulação e propaganda. A este "plano" se voltará em mensagens futuras, seguramente, passo a passo.
Os colaboracionistas querem convencer-nos de que a peça agora encenada se chama "Impostos vs. despesa pública", mas se lermos bem o texto, é bem mais "Desmantelamento e impostos". Os colaboracionistas ainda tentam convencer-nos que o que fazem é para pagar "a" dívida: "Pagá-la ou bancarrota", chantageiam o povo subjugado. Quem se deixa convencer por esta conversa, ou é porque gosta dela, ou então ainda não percebeu que o resultado pretendido é menos salário, mais impostos e menos direitos.Mas parece que na verdade o que se quer é nunca mais conseguir pagá-la, porque essa é a caução que determina que trilhamos o caminho a nós reservado na reconfiguração da divisão social do trabalho a nível europeu e mundial.
O cumprimento da Constituição seria um móbil para uma política democrática e patriótica, de sentido oposto à seguida pelos acólitos do ocupante. Com isto digo que ela é muito mais que um obstáculo à política a que nos sujeitam. Assim, ela deve ser é cumprida, e não "re-" qualquer coisa para se ajustar à acção da camarilha. A tentativa de penetração da política de terror económico e social do ocupante no terreno constitucional tem apenas o mérito de destapar a sua agenda, e o papel dos colaboracionistas no sua implementação.
Travar o passo ao(s) inimigo(s) do povo, da Pátria e da democracia, é a tarefa dos dias actuais. Se for preciso, daí brotará uma qualquer "Re-" (com erre maiúsculo) que mude as agulhas do tempo e do futuro colectivo.
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